Biofísica Clínica da Terapia Fotodinâmica no Câncer de Pele

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Milena Karla da Silva Vasconcelos
Rita Cassia-Moura

Resumo

Introdução: Câncer é uma neoplasia de etiologia multifatorial que se caracteriza pelo crescimento desordenado de células, de natureza maligna. O câncer de pele se distingue em melanoma, extremamente agressivo e com origem das células produtoras de melanina da pele, e em não melanoma, que em geral possui bom prognóstico. Dentre os métodos de tratamento não invasivos para o câncer de pele não melanoma, está a Terapia Fotodinâmica. Objetivo: Analisar os aspectos biofísicos e clínicos da Terapia Fotodinâmica no tratamento do câncer de pele não melanoma em seres humanos. Metodologia: Revisão da literatura realizada na base de dados Pubmed/Medline com o uso dos seguintes descritores: photodynamic therapy, nonmelanoma skin cancer, laser, interligados pelo operador booleano and. Foram empregados os seguintes critérios de inclusão: artigos científicos publicados entre 2014 e 2023, tipo ensaio clínico, ensaio clínico randomizado ou relato de caso, escritos em português ou inglês. Foram excluídos os artigos que não se enquadraram no foco da pesquisa. Resultados: O câncer de pele não melanoma se divide em carcinoma basocelular (CBC) e carcinoma espinocelular (CEC). CBC é o câncer mais comum em seres humanos e também o que tem melhor prognóstico. A população de risco são pessoas com histórico de exposição à radiação ultravioleta ou a substâncias químicas, como derivados de arsênio. CEC é o segundo câncer de pele mais comum e geralmente ocorre devido a exposição solar continuada ao longo da vida (AZULAY et al., 2017). A escolha do método terapêutico para câncer de pele não melanoma depende da localização e o tamanho do tumor, infiltração para outros tecidos, o estado de saúde do paciente, fatores de risco de recorrência da doença, entre outros (TRAFALSKI et al., 2019). Nos casos em que a exérese cirúrgica se torna difícil, pode ser realizado tratamento que selecione apenas as células neoplásicas e preserve os tecidos adjacentes, como é o caso da TFD (LU et al., 2014; TRAFALSKI et al., 2019). A TFD é um método biofísico de tratamento não invasivo que tem como objetivo a destruição localizada do tecido vivo anormal. É administrado ao paciente substância fotossensibilizante tópica ou sistêmica, a qual é irradiada por uma fonte de radiação eletromagnética com comprimento de onda específico, gerando espécies reativas de oxigênio, que atuam na oxidação de proteínas e lipídios (TRAFALSKI et al., 2019; GAO et al., 2015). Os fotossensibilizantes à base de porfirina têm alta afinidade por células com elevado metabolismo, levando à necrose ou à indução de apoptose. As fontes de luz utilizadas na TFD são diversas. Após o fotossensibilizante ser aplicado, a lesão é irradiada com laser ou led com comprimento de onda correspondente ao espectro de absorção do fotossensibilizante, visando ocorrer excitação molecular do fotossensibilizante (LU et al., 2014; GAO et al., 2015; OZOG et al, 2016). A vantagem da TFD em comparação com outros métodos é que tem boa seletividade para tecidos tumorais, deixando ilesas as células normais, além de poder ser utilizada repetidas vezes sem levar a resistência e possuir um encurtamento do tempo de recuperação do paciente (GAO et al., 2015; LU et al., 2014). Além disso, a TFD não deixa cicatrizes, o que a torna mais benéfica esteticamente do que outros métodos, como cirurgia ou a crioterapia. Entre as desvantagens, pacientes relataram dor moderada ou intensa, sensação de queimação ou formigamento, eritema local e edema ao realizarem esta opção terapêutica. É necessário que após o procedimento o paciente temporariamente evite exposição à luz solar, a fim de prevenir efeitos adversos (TRAFALSKI et al., 2019; MORTON et al., 2018; SUN et al, 2023). A TFD pode ser combinada com outras opções terapêuticas (LU et al., 2014; MILLER & PADILLA, 2020; SUN et al., 2023), como cirurgia e lasers ablativos de CO2, o que tem mostrado ser eficaz para resultados estéticos e menor frequência de recidivas. Conclusões: A Terapia Fotodinâmica é um método biofísico terapêutico de alta taxa de sucesso como uma alternativa à cirurgia. Em seres humanos, tem alta seletividade, inclusive para células tumorais, levando a um excelente resultado estético. Além disso, proporciona um bom resultado em combinação com outros tratamentos.
Palavras-chave: Câncer de Pele; Engenharia Biomédica; LASER; LED.
 Referências:
- AZULAY, R. D; AZULAY, D. R.; AZULAY-ABULAFIA, L. Neoplasias Epiteliais. In: Dermatologia. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. cap. 52.
- GAO, Y.; ZHANG, X.; WANG, W.-S.; YANG, Y.; WANG, H.; LU, Y.; FAN, D. Efficacy and safety of topical ALA-PDT in the treatment of EMPD. Photodiagnosis and Photodynamic Therapy, v. 12, n. 1, p. 92–97, 2015.
- LU, Y.; WANG, Y.; YANG, Y.; ZHANG, X.; GAO, Y.; YANG, Y.; ZHANG, J.; LI, G. Efficacy of topical ALA-PDT combined with excision in the treatment of skin malignant tumor. Photodiagnosis and Photodynamic Therapy, v. 11, n. 2, p. 122–126, 2014. 
- MILLER M. B.; PADILLA A. CO2 laser ablative fractional resurfacing photodynamic therapy for actinic keratosis and nonmelanoma skin cancer: a randomized split-side study. Cutis, v. 105, n. 5, p. 251-254, 2020.
- MORTON, C A; DOMINICUS, R; RADNY, P; DIRSCHKA, T.; HAUSCHILD, A.; REINHOLD, U.; ASCHOFF, R.; ULRICH, M.; KEOHANE, S.; EKANAYAKE-BOHLING, S.; IBBOTSON, S.; OSTENDORF, R.; BERKING, C.; GRONE, D.; SCHULZE, H. J.; OCKENFELS, H. M.; JASNOCH, V.; KURZEN, H.; SEBASTIAN, M.; STEGE, H.; STAUBACH, P.; GUPTA, G.; HUBINGER, F.; ZIABREVA, I.; SCHMITZ, B.; GERTZMANN, A.; LUBBERT, H.; SZEIMIES, R.-M. A randomized, multinational, noninferiority, phase III trial to evaluate the safety and efficacy of BF-200 aminolaevulinic acid gel vs. methyl aminolaevulinate cream in the treatment of nonaggressive basal cell carcinoma with photodynamic therapy. British Journal of Dermatology, v. 179, n. 2, p. 309-319, 2018. 
- OZOG, D. M.; RKEIN, A. M.; FABI, S. G.; GOLD, M. H.; GOLDMAN, M. P.; LOWE, N. J.; MARTIN, G. M.; MUNAVALLI, G. S. Photodynamic therapy: a clinical consensus guide. Dermatologic Surgery v. 42, n. 7, p. 804–827, 2016. 
- SUN, J.; ZHAO, H.; FU, L.; CUI, J.; YANG, Y.. Global trends and research progress of photodynamic therapy in skin cancer: a bibliometric analysis and literature review.  Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology, v. 16, p. 479–498, 2023.
- TRAFALSKI, M.; KAZUBOWSKA, K.; JURCZYSZYN, K. Treatment of the facial basal cell carcinoma with the use of photodynamic therapy: a case report. Dental and Medical Problems, v. 56, n. 1, p. 105–110, 2019.
 

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Seção
Engenharia da Computação e Sistemas