Utilização do software Hydrus-1D na predição da infiltração de água no jardim de chuva da POLI/UPE

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Jallisson Silva Vieira
Jaime Joaquim da Silva Pereira Cabral
Emilia Rahnemay Kohlman Rabbani
Alison Lopes da Silva

Resumo

Nas últimas décadas, os impactos do processo de urbanização têm se intensificado significativamente. Estima-se que, em 2030, 60% da população mundial estará concentrada em centros urbanos, e no Brasil, especialmente na região hidrográfica do Paraná, essa concentração já ultrapassa 90% (IBGE, 2023; World Economic Forum, 2024). A urbanização rápida e não planejada acarreta diversas mudanças ambientais e problemas de infraestrutura urbana, incluindo um desequilíbrio no balanço hídrico. Esse desequilíbrio é evidenciado pela redução da infiltração de água no solo e pelo aumento das vazões de escoamento superficial, resultando em enxurradas e cheias urbanas. Tradicionalmente, a solução para a drenagem urbana tem sido a construção de galerias pluviais para transportar o escoamento superficial para fora das áreas urbanas. Contudo, essas estruturas muitas vezes não conseguem lidar com a magnitude das vazões, agravadas pela impermeabilização desordenada e problemas de manutenção das redes de drenagem. Com a tendência de adoção de práticas de desenvolvimento de baixo impacto ambiental, novas soluções complementares têm sido estudadas. Estas soluções visam manter o equilíbrio do balanço hídrico pré-desenvolvimento e incluem dispositivos que aumentam a infiltração, armazenam e retardam o escoamento, além de integrar medidas não estruturais para prevenir os problemas na fonte. Entre essas técnicas, destacam-se os sistemas de biorretenção, como os jardins de chuva, que são instalados em áreas escavadas e preenchidos com materiais permeáveis e orgânicos. Essas estruturas visam à retenção, filtração e infiltração das águas pluviais, contribuindo para a desconexão de áreas impermeáveis e proporcionando benefícios ambientais, ecológicos, paisagísticos e econômicos. Li e Zhao (2008) descrevem os jardins de chuva como estruturas de baixo custo e manutenção simples, que purificam e absorvem as águas pluviais, reduzindo o volume escoado e protegendo as águas subterrâneas. A principal função desses sistemas é captar, reter, retardar e minimizar ou evitar os impactos do escoamento superficial. Na Escola Politécnica da Universidade de Pernambuco (POLI/UPE) foi construído um jardim de chuva de 6 m², localizado no estacionamento em frente ao Bloco B. O terreno foi escavado a uma profundidade de 80 cm, sobre o qual foi colocada uma camada de 60 cm de brita 1, envolta superior e inferiormente por uma manta geotêxtil para dirimir a colmatação, e uma camada de substrato para as plantas de 20 cm de areia argilosa. As plantas cultivadas no jardim foram a Ixora coccinea e a Evolvulus glomeratus, ambas indicadas pela literatura para aplicação em jardins de chuva. O presente trabalho objetivou calcular o fluxo de infiltração de águas pluviais utilizando a predição do software Hydrus-1D, que é um modelo desenvolvido para simular o movimento unidimensional de água, calor e solutos em diferentes perfis de solo, resolvendo numericamente a Equação de Richards em condições de fluxo de água com saturação variável. As simulações utilizam variáveis meteorológicas e características físicas do solo, permitindo a definição de diversas condições de contorno e oferecendo várias opções para caracterização hidrodinâmica do solo. Para isso, o solo do fundo do terreno escavado foi analisado e determinada sua caracterização. No software foi definida a função de simular o fluxo vertical da água, definida a quantidade de três camadas do perfil do solo (substrato, brita e terreno natural), feita a escolha da simulação para um tempo de vinte e quatro horas com uma chuva de 10 mm/h. Os parâmetros para a equação de Richards e o modelo de van Genuchten-Mualem padrões do programa foram mantidos. Quanto aos perfis do solo, as três camadas foram configuradas de acordo com suas características e o modelo de predição neural estimou os parâmetros da curva de retenção de água e a condutividade hidráulica em solo saturado em função dos teores de argila, areia, silte e densidade do solo. O sistema foi configurado como tendo a superfície submetida à pressão atmosférica podendo formar uma camada de água de até cinco centímetros sobre a superfície do substrato; já a parte inferior do perfil foi configurada com drenagem livre. A análise resultou em uma estimação que, na superfície do jardim, há uma infiltração máxima de 1,42 cm/h, que decresce até se manter constante por volta de cinco horas de chuva e se mantém em 0,86 cm/h até o fim da simulação. O gráfico gerado pelo programa que estima o fluxo da água na superfície apresenta, inicialmente, uma curva com tendência logarítmica até, aproximadamente, a terceira hora de observação. Isso se deve a camada de brita armazenar um significativo volume de água após o substrato das plantas, para, logo em seguida, penetrar no solo do terreno natural de forma lenta. A partir de então, tende a uma reta horizontal constante até atingir as vinte e quatro horas de predição. Obteve-se assim uma curva de infiltração acumulada de aproximadamente 24 cm em vinte e quatro horas de chuva. Observa-se que o jardim supre razoavelmente a necessidade de drenar a água da chuva no local onde está instalado e ressalta-se a eficácia dos jardins de chuva em efetivar a infiltração de água e reduzir o escoamento superficial, proporcionando benefícios ambientais significativos. Para resultados mais precisos recomenda-se que a caracterização dos solos dos perfis seja feita em laboratório e os percentuais de areia, argila e silte sejam aplicados na predição.

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Seção
Engenharia Civil