Avaliação de desempenho acústico de sistemas de fachada de residências unifamiliares em Caruaru-PE
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Resumo
Os requisitos e critérios de desempenho acústico de sistemas de vedações em edificações residenciais já são uma realidade, tanto pela exigência normativa da NBR 15575 (ABNT, 2021) quanto pela necessidade da escolha do sistema de vedação que melhor proporcione conforto acústico ao usuário da unidade habitacional. Nesse ínterim, o objetivo deste trabalho foi avaliar o desempenho acústico ao ruído aéreo de cinco sistemas de vedações verticais externas (SVVE ou fachadas) de residências unifamiliares localizadas na cidade de Caruaru-PE. Para isso, foram utilizados como equipamentos de ensaio um analisador de oitavas classe 1 (sonômetro) modelo Fusion 01dB, de número de série 12841 devidamente calibrado e verificado, e uma fonte sonora dudocaédrica, modelo Look Line, com configuração S103AC (alimentada eletricamente por uma única fonte elétrica principal sem bateria externa) e devidamente verificada pelo teste de diretividade. Menciona-se também que os ensaios de desempenho acústico foram realizados em um empreendimento de urbanização através da construção de aproximadamente 300 casas separadas por quadras no bairro Jardim Boa Vista na Cidade de Caruaru-PE no dia 26 de abril de 2024. Seguiu-se as diretrizes metodológicas preconizadas na NBR ISO 16283-3 (ABNT, 2021), norma esta que regulamenta o método de engenharia de ensaio acústico de fachada, e as diretrizes metodológicas descritas na NBR ISO 717-1 (ABNT, 2021), norma esta que apresenta o método de cálculo de deslocamento da curva de referência para obtenção do valor global. Foram coletadas 20 amostras de ensaio abrangendo 10 casas e 2 quadras, ou seja, 2 amostras por casa. Destaca-se que todas as 10 casas são de iguais arquiteturas, isto é, possuem os mesmos ambientes internos (sala, cozinha e 2 quartos), de mesma configuração, de mesma volumetria, de mesmos sistemas de vedações verticais internas e mesma tipologia e dimensões de janelas. Para fachada dessas casas foi utilizado o mesmo elemento principal de vedação em bloco de concreto de 90 mm de espessura e os mesmos revestimentos internos e externos, variando apenas o tratamento realizado no espaço de ar entre o final da parede e o sistema de coberturas (encunhamento), que é o foco deste estudo. Com este intuito, foram analisados cinco modelos de fechamento deste espaço de ar no encunhamento, ou seja, um modelo de referência comparativa sem fechamento e quatro modelos de fechamento. São eles: (SVVE-01: sem fechamento), (SVVE-02: fechamento com aplicação de lã de vidro acima do forro), (SVVE-03: fechamento com beiral em PVC), (SVVE-04: fechamento em argamassa cimentícia) e (SVVE-05: fechamento com bloco de concreto e argamassa cimentícia). Para cada modelo testado, foram coletadas 4 amostras de ensaio. Como resultado, verificou-se que o SVVE-01 apresentou um D2m,nT,w máximo de 20 dB e médio de 19 dB. O SVVE-02 apresentou um D2m,nT,w máximo de 23 dB e médio de 22 dB. O SVVE-03 apresentou um D2m,nT,w máximo de 22 dB e médio de 21 dB. O SVVE-04 apresentou um D2m,nT,w máximo de 24 dB e médio de 22 dB. E o SVVE-05 apresentou um D2m,nT,w máximo de 24 dB e médio de 23 dB. Portanto, avalia-se que o SVVE-01, modelo de referência sem fechamento no encunhamento, apresenta resultado médio que não atende ao nível mínimo de desempenho para classe de ruído I como preconizado na NBR 15575-4 (ABNT, 2021), ou seja, este modelo de referência já apresenta potencial de não atendimento à norma vigente de isolamento acústico necessitando de uma intervenção de nova proposta de solução, que é o objeto deste estudo. O modelo SVVE-02 com aplicação de lã de vidro acima do forro apresentou resultados médios e máximos de desempenho acústico superiores ao modelo SVVE-03 com aplicação de beiral em PVC. Acrescenta-se que estes dois modelos apresentaram resultados de desempenho acústico superiores ao modelo de referência e com atendimento aos níveis mínimos de desempenho para a classe de ruído I. Por fim, os modelos SVVE-04 e SVVE-05 também apresentaram resultados máximos similares entre si com desempenho acústico superior aos demais modelos e com atendimento ao nível mínimo de desempenho acústico para a classe de ruído I, sendo o modelo proposto com bloco de concreto e argamassa apresentando um resultado médio ligeiramente maior que o modelo apenas com preenchimento em argamassa cimentícia. Conclui-se, portanto, que o modelo SVVE-05, neste estudo de caso específico, apresentou o melhor desempenho acústico de isolamento de fachada ao ruído aéreo, se apresentando como a solução mais eficiente em termos de potencial de isolamento acústico. Frisa-se a importância de se acrescentar, como sugestões de trabalhos futuros, a comparação de custos destas soluções propostas para se avaliar também a melhor escolha da solução levando em conta a viabilidade econômico-financeira, a sugestão de aumentar o número de amostras coletadas para cada tipo de modelo em específico para se ter uma tendência estatística mais homogênea e a sugestão de se comparar também as diferentes tipologias de esquadrias de dormitórios (fabricantes, linhas e espessura dos vidros) e sua possível correlação com o desempenho acústico esperado, tendo em vista serem elas pontos de fragilidade na fachada em razão da sua baixa densidade e suas interfaces de encontro com a parede que podem comprometer o desempenho acústico da fachada.
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Seção
Engenharia Civil