MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM FACHADAS DE UNIDADE HOSPITALAR: ESTUDO DE CASO NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO OSWALDO CRUZ, RECIFE - PE
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Resumo
As fachadas, que fazem parte do envoltório de uma edificação, separando os meios exterior e interior, são a primeira impressão de uma construção. Possuindo um grande peso estético, a fachada é o elemento que mais sofre com a atuação de agentes agressivos que comprometem o seu desempenho durante a vida útil (Santos et al., 2018). Por isso, necessitam de monitoramento para a garantia desse seu desempenho, pois podem surgir manifestações patológicas a partir de falhas que ocorrem durante uma ou mais fases da edificação. Nesse processo de controle, análise e registro, o Mapa de Danos pode ser uma técnica valiosa por ser tratar de um conjunto de documentos que representam graficamente os problemas apresentados pela construção (Hautequestt Filho; Achiamé, 2018). Barthel, Lins e Pestana (2009) definem o Mapa de Danos como um produto resultante de profundas pesquisas sobre a edificação, que levará a ciência do seu estado de conservação para indicação da intervenção a ser adotada, porém, o Mapa de Danos ainda não é amplamente utilizado. Assim, com o intuito de ampliar os contextos aplicáveis para o Mapa de Danos e de promover uma contribuição para a Universidade de Pernambuco, a presente pesquisa teve como objetivo determinar as manifestações patológicas ocorrentes nas fachadas de dois blocos com características semelhantes, denominados Bloco A (Central de Marcação + Cuidados Paliativos) e Bloco B (Almoxarifado + Capela), do Hospital Universitário Oswaldo Cruz e elaborar seus respectivos mapas, para detectar e analisar os problemas das fachadas da unidade hospitalar, e comparar a ocorrência das problemáticas. A metodologia contou com averiguação quanto ao histórico da edificação junto ao setor de engenharia da instituição, de vistorias em campo, realizadas nos meses de maio, junho e julho de 2023 com auxílio de fissurômetro, trena a laser, e pacômetro e o cálculo do Fator de Danos das Regiões Corrigido (FDrc) das fachadas, apoiado no trabalho de Santos (2018), a fim de se ter uma análise quantitativa das manifestações patológicas encontradas em cada uma das seis regiões em que a fachada pode ser dividida (sacadas, aberturas, cantos e extremidades, transição entre pavimentos, topo e paredes contínuas). Após elaboração dos Mapas de Danos e cálculo dos FDrc agrupados por manifestação patológica foi possível observar que para mofo e bolor, as fachadas com maiores fatores foram Nordeste para o Bloco A e Sudoeste para o Bloco B, ambos na região de cantos e extremidades. Essa problemática está relacionada de forma direta com a presença de umidade, sendo as principais fontes as águas residuais dos aparelhos de refrigeração, que não possuem instalações adequadas para a sua destinação, e as águas pluviais. Nessa última fonte, pode ainda ser considerado o fato de que a presença de beiral em todas as fachadas e a ausência de calhas, para captação da água da chuva que escoa pela coberta, geram uma maior incidência de umidade na região dos cantos e extremidades do que em regiões mais superiores das edificações. Além de mofo e bolor, em ambos os blocos foram identificadas as manifestações de descascamento de pintura e fissuras. Para a problemática de fissuras, vale destacar que o resultado mais expressivo para o Bloco A foi na Fachada Noroeste, na região de cantos e extremidades, e para o Bloco B na Fachada Sudestes, na região de aberturas. Sendo essas as fachadas que recebem maior incidência solar ao longo do dia, há tendência de ocorrência de fissuras de movimentação térmica entre elementos diferentes, além de retração de argamassa por secagem e ausência de contraverga. Para o Bloco A, ainda há desplacamento de revestimento e sujidades. De forma mais pontual, o desplacamento pode ser relacionado à falha de aderência com a base e também à própria constituição do revestimento, que em alguns trechos, já expostos, foi observada uma coloração alaranjada, característica que pode denotar a presença de saibro, agregado utilizado de forma errônea como aglomerante. Com relação a sujidade no Bloco A, essa manifestação patológica está bastante interligada com a presença de infestação de pombos e desprendimento de frutos das árvores arbóreas circundantes, com atuação mais evidente na Fachada Nordeste, e do elemento sacada na Fachada Sudeste, que recebe de forma imediata a ação dos agentes do meio ambiente e ventos, servindo de amparo de depósitos. Divergindo do Bloco B, onde não há esses dois fatores. Para o Bloco B, de forma singular, foi identificada eflorescência na Fachada Nordeste, na região de aberturas, que pode ser resultante de fatores propícios apenas nesse determinado ponto, como a presença de sais na argamassa preparada para o revestimento e o recebimento de águas pluviais de forma direta por estar imediatamente sob trecho fraturado do beiral da coberta. Apesar de estarem dispostos na mesma direção, os blocos apresentaram diferenças quanto a maior incidência de uma manifestação patológica em suas fachadas. Esse fato pode ser atribuído ao entorno em que as duas edificações estão inseridas dentro do ambiente hospitalar. No Bloco A as fachadas Sudoeste, Noroeste e Nordeste não possuem edificações muito próximas da sua face, com exceção de algumas árvores na primeira, enquanto a Sudeste tem a diretoria do hospital, além da implantação de um toldo para abrigo e espera dos usuários. No Bloco B a situação do entorno se modifica, pois as que não têm grande interação direta com elementos de entorno são as fachadas Noroeste e Sudoeste, ao passo que a Fachada Sudoeste tem coberta adicional no pavimento térreo, para conexão com o pátio, e diversas árvores, e a Fachada Nordeste tem a edificação da farmácia próxima. Outro ponto a ser considerado é a ocorrência de pintura nas fachadas mais expostas ao público no Bloco A de forma mais recente do que o Bloco B como um todo. Fato esse que resultou em valores maiores de FDrc para o segundo objeto de estudo quando comparado com o primeiro, considerando a mesma manifestação patológica ocorrente. Com o desenvolvimento do estudo constatou-se que com o Mapa de Danos é possível registrar as problemáticas das fachadas no tempo e que para os dois blocos a mais ocorrente, e que apresentou, de forma consequente, os maiores valores de FDrc, foi mofo e bolor na região cantos e extremidades, estando relacionados à fonte de umidade constante, falha na manutenção e não solução dos fatores que causam as problemáticas.
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Seção
Engenharia Civil