Integração de Software OpenBIM na Orçamentação de Modelos BIM de Arquitetura e Estrutura um estudo de caso

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RANIELLE LOPES SANTOS
BIANCA VASCONCELOS

Resumo

A avaliação do custo de um projeto é imprescindível para determinação de sua viabilidade. Portanto, torna-se essencial dispor de informações confiáveis para uma aplicação acurada. Com os avanços da Indústria da Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC) novas formas de desenvolvimento de projetos foram sendo implantadas. A modelagem de Informação da Construção (BIM) tornou-se um catalisador dos serviços que norteiam o ciclo de vida de uma edificação, viabilizando análises e tomadas de decisões assertivas (Sacks; Eastman; Lee, 2021). O BIM acrescenta variadas vertentes à representação do modelo tridimensional, integrando dados de custos (5D), cronograma (4D) e gestão de ativos (Khorchi; Boton, 2024). Ao associar as análises de custos, a preparação inicia-se através de um levantamento de quantidade dos itens associados aos projetos. Esta atividade está atrelada, tradicionalmente, a desenhos e especificações bidimensionais (2D), gerando em um significativo esforço na realização de um orçamento de obras (Hollberg; Genova; Habert, 2020), bem como em estudos antigos, já indicavam um déficit na assertividade da informação (Santos et al., 2014). Nesse sentido, diferentemente de um modelo 2D, o uso do BIM no processo orçamentário resulta em economia e confiabilidade dos dados (Nascimbeni, 2020). A digitalização da construção civil gerou um aumento maciço de informações por meio de variados softwares, criando desafios na troca de informações (Khudhair; Haijang; Guoqian, 2023). Nesse contexto, surge o termo OpenBIM desenvolvido pela BuildingSMART que visa ampliar os benefícios do BIM ao melhorar a acessibilidade dos arquivos, sendo um processo colaborativo por facilitar a interoperabilidade dos projetos ao longo do ciclo de vida de uma edificação. Com isso, embasando-se nos métodos de Robert K. Yin (1994) para estudo de casos, o presente estudo objetiva desenvolver através de um estudo de caso explanatório, um template orçamentário para integração entre os modelos BIM das disciplinas de estrutura e arquitetura com a estimativa de custo em software orçamentário OpenBIM. Para tal, foram analisados 20 orçamentos de obras verticalizadas de uma empresa da construção civil da região Nordeste do Brasil, sendo elencados os itens dos serviços contidos nos orçamentos com maior incidência. A EAP, em inglês Work Breakdown Structures (WBS), por se tratar de uma técnica fundamental para uma estruturação ordenada de um escopo do projeto indicada no guia Project Management Body of Knowledge (PMBOK) (PMI, 2017), foi elabora utilizando estes itenas para ser usada como referência, também sendo alinhada a NBR 12721:2005. Baseado nessa enumeração, foi realizada a modelagem estrutural e arquitetônica contendo todos os referentes itens para que fossem realizadas as parametrizações necessárias para exportação do Industry Foundation Classes (IFC) assertivo para o software AltoQi Visus Cost Management. Após a inserção no software orçamentário, foram avaliadas as formas de padronização da quantificação dos itens no mesmo, sendo realizado o template de integração. A utilização do template no referido software orçamentário BIM viabilizou a otimização do processo de quantificação. Ao padronizar, o processo de inserção do modelo na ferramenta gerou um fluxo bem definido e replicável, resultando em ganhos significativos de eficiência da construção de um orçamento BIM. Eram gastos, em média, dez dias entre conferências, revisões e preenchimentos manuais. A equipe orçamentária revisava os quantitativos recebidos em Excel e em geral encontravam itens sem serem quantificados, retornando a equipe de modelagem, o que tornava o processo mais trabalhoso e demorado. No fluxo aqui proposto, o próprio modelo é utilizado como base de quantificação, e ao ser inserido no programa orçamentário utilizando o template, tornou-se também um meio de conferência. O tempo demandado reduziu para, em média, 2 horas, podendo variar por conta da complexidade do projeto, obtendo assertividade e produtividade no orçamento de obras. É valido ressaltar que o BIM precisa ser realizado com base em seus pilares que são pessoas, tecnologia e processos. Ou seja, para que haja a otimização do fluxo orçamentário é importante estruturar processos padronizados.
 

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Seção
Engenharia Civil
Biografia do Autor

RANIELLE LOPES SANTOS, Universidade de Pernambuco

Ranielle Lopes dos Santos é Designer de Interiores (2017) pela Escola Técnica Estadual Professor Agamemnon Magalhães e Engenheira Civil (2022) pela Universidade de Pernambuco - UPE, pós-graduada em Master BIM: Ferramentas e Processos pelo Instituto de Pós-graduação e Graduação - IPOG (2024). Atualmente, é mestranda em Engenharia Civil no programa de pós-graduação da Escola Politécnica de Pernambuco (POLI/UPE).

BIANCA VASCONCELOS, Universidade de Pernambuco

Bianca Maria Vasconcelos Valério é Doutora em Engenharia Civil (2013) pela Universidade do Porto / Portugal. Atualmente é professora adjunta da Universidade de Pernambuco – UPE e líder do grupo de pesquisa "Ergonomia, Higiene e Segurança no Trabalho" registrado no CNPq, coordenadora adjunta do Comitê de Ética de Pesquisa (CEP) e coordenadora da área do Núcleo de Docência em Estruturas (NDE) do curso de graduação em Engenharia Civil na POLI/UPE.