Análise da composição gravimétrica de um aterro sanitário localizado na região metropolitana de João Pessoa: Estudo de Caso

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Maria Karoline Pedrosa de Andrade
Emilia Rahnemay Kohlman Rabbani
Isaac Sérgio Araújo de Brito

Resumo

O objetivo deste trabalho é analisar as características de um material recolhido através de amostra de sondagem realizada em um aterro sanitário localizado na Região Metropolitana de João Pessoa – PB, por meio da análise gravimétrica pontual, e gerar subsídios para a análise de estabilidade do talude do aterro. A gestão de resíduos sólidos urbanos (RSU) vem se tornando cada vez mais crucial para preservar um ambiente saudável e equilibrado ecologicamente. Nesse sentido, a análise da composição gravimétrica tem sido utilizada como instrumento para estabelecer diretrizes e protocolos em diversas fases do sistema de gestão desses resíduos, inclusive na compreensão da análise da estabilidade de taludes. A metodologia adotada para a análise da composição gravimétrica foi embasada em fontes literárias e na recomendação técnica da Sociedade Alemã de Geotecnia, conforme detalhado por Borgatto (2010). Todas as análises foram realizadas no Laboratório de Solos e Instrumentação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Inicialmente, a caracterização dos resíduos sólidos urbanos foi conduzida utilizando amostras coletadas na região metropolitana de João Pessoa. Este processo abarcou a análise física dos RSU, incluindo a composição gravimétrica, distribuição granulométrica, classificação morfológica e o teor de umidade. Os resultados da caracterização realizada em laboratório indica que o aterro em questão conta com um percentual de umidade de 45%, o que é bastante significativo, comprometendo assim a estabilidade do mesmo. Em contrapartida, os materiais ali depositados, como a presença de fibras (30%), sofrerão redução com o tempo, pois foi possível constatar uma quantidade representativa de madeira no grupo de demais fibras. A presença excessiva de umidade pode afetar a estabilidade do terreno, aumentando o risco de deslizamentos e, na pior das hipóteses, o colapso. Portanto, a umidade elevada também pode comprometer a eficácia dos sistemas de drenagem de líquidos e gases, potencialmente levando a problemas ambientais como vazamentos de lixiviados e emissões de gases tóxicos. A alta umidade detectada nas amostras pode ter implicações profundas em vários aspectos da operação do aterro sanitário. Por exemplo, a presença excessiva de umidade pode afetar a estabilidade do terreno, aumentando o risco de deslizamentos de terra e colapsos estruturais. Além disso, a umidade elevada também pode comprometer a eficácia dos sistemas de drenagem de líquidos e gases, potencialmente levando a problemas ambientais como vazamentos de lixiviados e emissões de gases tóxicos. A mesma pode influenciar a decomposição dos resíduos, acelerando o processo de biodegradação e contribuindo para a produção de gases de efeito estufa como metano e dióxido de carbono. Essas emissões de gases, por sua vez, podem ter impactos significativos sobre a qualidade do ar e contribuir para as mudanças climáticas globais. Diante desses resultados, torna-se crucial adotar medidas para gerenciar e mitigar os efeitos da umidade nos aterros sanitários, como a implementação de sistemas de drenagem mais eficientes, controle cuidadoso do aporte de água e práticas adequadas de cobertura e compactação dos resíduos. Além disso, a presença de 30% de fibras sugere a necessidade de estudos geotécnicos adicionais para análises de estabilidade do talude do aterro sanitário. A promoção do reuso e reciclagem de materiais pode prolongar a vida útil do aterro sem comprometer sua estabilidade. Observa-se também que a deposição significativa de materiais não biodegradáveis nos aterros sanitários brasileiros resulta em impactos ambientais prolongados, já que esses materiais permanecem fisicamente intactos por longos períodos. Esses resíduos não biodegradáveis podem causar contaminação do solo e da água subterrânea, especialmente quando expostos à umidade. Portanto, uma gestão adequada desses resíduos, incluindo técnicas de reciclagem e reutilização, é essencial para minimizar os impactos ambientais dos aterros sanitários. A análise comparativa da composição gravimétrica média dos RSU no Brasil com os dados do estudo realizado no aterro de João Pessoa revelou que, em nível nacional, os RSU apresentam uma maior proporção de materiais orgânicos e recicláveis secos. No entanto, no aterro estudado, a presença de materiais plásticos e fibras foi mais pronunciada, indicando a necessidade de estratégias de gestão diferenciadas para cada localidade. Conclui-se que a análise gravimétrica é uma ferramenta essencial para a gestão eficaz de aterros sanitários, fornecendo dados valiosos para a implementação de medidas corretivas e preventivas. A alta umidade e a composição dos resíduos identificados no aterro de João Pessoa ressaltam a importância de estratégias de gerenciamento adaptativas que considerem as características específicas dos resíduos e as condições ambientais locais.

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Seção
Engenharia Civil