Conservação do barroco-rococó pernambucano: O caso da Capela da Jaqueira, em Recife (PE)
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Resumo
A introdução do estilo barroco-rococó no Brasil se iniciou por volta de 1753, trazendo uma abordagem estética inovadora e destacando a importância da leveza e dos ornamentos delicados, além de promover um regionalismo intenso com características singulares em cada região do país (Silva, 2022). Refletindo os valores estéticos e as técnicas construtivas no litoral pernambucano, a pesquisa destaca a Igreja de Nossa Senhora da Conceição das Barreiras. Mais conhecida como Capela da Jaqueira, e construída na segunda metade do século XVIII no Bairro de mesmo nome na Zona Norte do Recife, explora a complexidade da preservação de um patrimônio marcado pela influência da arquitetura portuguesa. Entre os desafios enfrentados por edifícios históricos está a tentativa de modernização do uso destas edificações, e Panakaduwa, et al. (2024) sinalizam que encontrar um equilíbrio entre eficiência energética e a preservação dos valores históricos é o maior deles. Adicionalmente, os debates sobre o estado conservação da edificação requerem não apenas identificar as deteriorações naturais a que os materiais utilizados estão suscetíveis, mas também a adoção de intervenções cuidadosamente planejadas para evitar intensificação dos problemas existentes (Bolina et al., 2019). Visando analisar o estado de conservação da Capela da Jaqueira, considerando os materiais empregados em sua construção e os últimos acontecimentos históricos a que esteve submetida, a pesquisa objetiva analisar os aspectos visuais da edificação considerando sua autenticidade. Promover a sustentabilidade na preservação do patrimônio cultural é uma questão emergente, integrando-se aos debates sobre compatibilidade de materiais históricos e orientando decisões interventivas nas edificações. Sob uma abordagem qualitativa, o estudo empregou como método de pesquisa a combinação do conhecimento histórico sobre a Capela com uma análise técnica dos materiais utilizados em sua construção e inspeções realizadas in loco das manifestações patológicas constatadas poucos meses após a realização de intervenção. Amostras de argamassa foram coletadas e analisadas por meio de Fluorescência de Raios X (FRX), permitindo verificar a composição e diferenças entre os materiais utilizados em diferentes partes da edificação. A análise das fachadas revelou problemas relacionados ao destacamento da pintura e à drenagem inadequada das águas pluviais, que têm contribuído para a danificação da estrutura por meio da biodeterioração. Já a inspeção no interior da Capela identificou o uso inadequado de materiais modernos em intervenções recentes, como o preenchimento de rasgos nas paredes de forma irregular, comprometendo a integridade estrutural e estética da edificação. Ressalta-se que, conforme o Art. 4º da Portaria nº 420 de 2010 do IPHAN, qualquer intervenção em bens tombados necessita de autorização prévia do órgão e uso de materiais incompatíveis pode causar danos estruturais e estéticos. Além disso, foram observados danos causados por infiltrações da coberta, recentemente reparada, e pelo ataque de térmitas – afetando tanto as estruturas de madeira, quanto a cantaria ornamental do interior. Os azulejos portugueses de caráter artesanal apresentaram pontuais manifestações que não comprometem o conjunto, todavia estão relacionadas às falhas de fabricação e ao mau uso de forma dispersa. A ausência de maior variedade de danos estruturais no interior da capela sugere, até o momento, que as práticas irregulares de tentativa de modernização das instalações têm um impacto visual disforme. No entanto, a perspectiva externa indica necessidade de atenção contínua para evitar a progressão dos danos. Assim, a preservação do patrimônio histórico deve seguir uma abordagem interdisciplinar, combinando conhecimento tradicional e tecnologias modernas para garantir a compatibilidade entre materiais antigos e novos. Este estudo destaca a importância de intervenções planejadas com cuidado, assegurando a integridade estrutural e a preservação do valor cultural para as futuras gerações. A Capela da Jaqueira, assim como outros monumentos históricos, deve ser mantida com rigor técnico e respeito às suas origens, promovendo uma herança cultural duradoura.
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Seção
Engenharia Civil