Modelagem e Previsão de Epidemias de Malária no Amazonas

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Kayo Henrique de Carvalho Monteiro
Patricia Takako Endo
Élisson da Silva Rocha
Sebastião Rogério da Silva Neto
Vanderson de Souza Sampaio

Resumo

A malária, uma doença transmitida por fêmeas do mosquito Anopheles e causada por várias espécies de protozoários do gênero Plasmodium, continua sendo uma preocupação significativa de saúde pública em 91 países, apesar dos esforços para eliminar o vetor, desenvolver vacinas e implementar novas medidas terapêuticas. De acordo com o indicador de Anos de Vida Ajustados por Incapacidade (DALY), que mede a soma dos anos de vida perdidos devido à mortalidade prematura e anos vividos com incapacidade, mais de 56,2 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade foram atribuídos à malária em 2016, indicando uma alta taxa de morbidade e uma qualidade de vida reduzida (HAY, Simon I. et al.). A Organização Mundial da Saúde (OMS), alertou sobre a necessidade urgente de ação, enfatizando a campanha "Zero Malária Começa Comigo", que visa manter a malária na agenda política e mobilizar recursos adicionais para capacitar comunidades na prevenção e cuidado da malária. No relatório anual de 2022, a OMS observou uma redução mais lenta nos casos relatados durante a pandemia de COVID-19 (WHOa, 2022). Em 2021, foram registrados 247 milhões de casos globais de malária, resultando em 619.000 mortes (WHOb, 2022). No Brasil, a eliminação da malária enfrenta desafios significativos. A alocação de recursos para controle do vetor e o treinamento de profissionais de saúde para diagnóstico preciso são pontos críticos nessa luta (FUCHS, 2019). O diagnóstico e tratamento rápidos são essenciais para o controle e erradicação da malária. Garantir acesso a medidas básicas de prevenção é uma estratégia crucial para reduzir a carga sobre os sistemas de saúde pública. Esse cenário é particularmente desafiador em áreas pobres e remotas, com recursos limitados de saúde (FERREIRA; CASTRO, 2016). Epidemias passadas mostraram o impacto disruptivo nos sistemas de saúde e as consequências para doenças como a malária. Por exemplo, o surto de Ebola de 2014-2016 na Guiné, Libéria e Serra Leoa prejudicou os esforços de controle da malária, levando a um aumento significativo de infecções e mortes relacionadas à malária nesses países. Além das abordagens rotineiras de controle, a OMS recomenda medidas especiais como o tratamento preventivo da malária e a administração massiva de medicamentos  em emergências de saúde pública. O tratamento preventivo envolve tratar um caso suspeito de malária antes da confirmação diagnóstica, reservado para situações extremas onde o diagnóstico imediato não é viável, através da administração de medicamentos antimaláricos a todos os indivíduos de uma população-alvo em intervalos repetidos, independentemente de apresentarem sintomas da doença. Considerando o cenário atual de restrições orçamentárias pós-COVID-19 e limitações operacionais para diagnóstico e acesso a tratamento adequado no Brasil, o desenvolvimento de uma plataforma capaz de prever epidemias pode ser uma solução eficaz para contribuir com a eliminação da malária no país. Na epidemiologia, o canal endêmico representa um nível contínuo e esperado de ocorrência de doenças dentro de uma população ou área geográfica específica, servindo como a média histórica ou base de casos de doenças (SAÚDE, 2010). Quando a incidência de casos ultrapassa os limites do canal endêmico, indica um evento anormal, como um surto ou epidemia. Esta análise é crucial para alertar autoridades de saúde e tomar medidas para controle, prevenção e resposta. Apresenta-se como uma ferramenta importante para facilitar a tomada de decisão pelos profissionais de saúde a utilização de modelos computacionais capazes de gerar alertas de epidemias. A luta contra a malária exige um esforço contínuo e coordenado, que inclui a alocação adequada de recursos, o treinamento de profissionais de saúde, e o desenvolvimento de tecnologias inovadoras para vigilância epidemiológica. A implementação de plataformas de previsão de epidemias pode não apenas auxiliar na identificação precoce de surtos, mas também permitir uma resposta mais rápida e eficaz, minimizando o impacto da doença nas populações vulneráveis. A utilização de tais ferramentas podem ser potencializadas através de políticas públicas robustas e a mobilização comunitária são essenciais para avançar na erradicação da malária, especialmente em contextos de recursos limitados e alta vulnerabilidade.

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Seção
Engenharia da Computação e Sistemas