Fototerapia UV em Biofísica Clínica

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Lucas Ferreira de Souza
Matheus Santos Gama de Lima
Rita Cassia-Moura

Resumo

Em dermatologia a fototerapia UV é um método terapêutico amplamente empregado no tratamento de doenças da pele em seres humanos, com o uso de radiação eletromagnética na faixa ultravioleta UV-A e UV-B. O objetivo deste estudo foi analisar o processo biofísico intrínseco da fototerapia UV. Trata-se de revisão narrativa. A busca dos artigos científicos foi realizada na base de dados do PubMed, utilizando-se os descritores UV-based therapy, ultravioleta e phototherapy. Foram excluídos os artigos que não se enquadraram no foco da pesquisa. Foi evidenciado que a fototerapia tem sido uma opção de tratamento indispensável para diversas doenças da pele, como psoríase, vitiligo e dermatite atópica (Halupczok et al., 2024). Consiste basicamente no emprego de fontes artificiais de emissão de radiação UVA ou UVB, com distintos níveis de absorção e penetrância na epiderme e derme. Com a radiação UVA houve uma distinção entre terapia UVA1 (340–400nm) e UVA2 (320–340nm), tendo a fototerapia UVA1 sido efetiva no tratamento da dermatite atópica e nas doenças esclerosantes da pele (Singer; Berneburg, 2018). Com o uso da radiação UVA, a energia foi absorvida mais lentamente, no entanto penetrou mais profundamente nas camadas da derme; e com o uso da radiação UV-B a energia foi absorvida rapidamente na epiderme, enquanto uma pequena parcela alcançou a derme superficial. Dessa forma, a fototerapia neutralizou as alterações patológicas que caracterizam as doenças inflamatórias da pele, por meio da indução da apoptose, modificação de citocinas e imunossupressão (Torres et al., 2021). Na fototerapia UVB houve uma distinção nas indicações clínicas entre terapia UVB de banda larga (280–320nm) e terapia UVB de banda estreita (311nm), tendo a fototerapia UVB de banda larga sido efetiva no tratamento de dermatite atópica, prurido, micose fungóide; e tendo a terapia UVB de banda estreita sido efetiva no tratamento da psoríase, dermatite atópica e vitiligo (Singer; Berneburg, 2018). A terapia UVB de banda larga e de banda estreita foram efetivas para a profilaxia de erupção polimórfica de luz. A fototerapia continua sendo uma opção de tratamento indispensável para muitas doenças cutâneas, com efetividade, ação rápida e direcionada, histórico de segurança conhecido de longo prazo, sem necessidade de monitoramento laboratorial, e segurança para crianças, grávidas e lactentes. O uso da fototerapia evoluiu para modalidades mais eficazes e direcionadas, incluindo fotoquimioterapia (psoraleno com UV-A, PUVA), UV-B de banda estreita, excimer laser e fototerapia UV-A1. Os efeitos adversos agudos da fototerapia incluíram prurido, ardor, queimadura, sensibilidade, eritema, bronzeamento e formação de bolhas (Ortiz-Salvador; Pérez-Ferriols, 2017). A radiação UV tem a capacidade de produzir mutação genética, com a consequente ocorrência de sinais e sintomas clínicos no indivíduo. Altas doses de radiação UVB de banda larga (i.e. acima de 300 sessões terapêuticas) foram associadas a um aumento na ocorrência do câncer de pele não-melanoma. Tem ocorrido eritema induzido pela fototerapia em caso de sobredosagem e reações fototóxicas após ingestão intencional, inevitável ou acidental de substâncias fotossensibilizantes. A imunossupressão causada pela fototerapia com radiação UV tem contribuído para a reativação de infecções por herpes, principalmente em pacientes atópicos e quando submetidos a terapia com altas doses de UVA1 (Kurz et al., 2023). Um grande desafio em relação à adesão à fototerapia foi sua disponibilidade limitada. Dessa forma, é de fundamental importância que esforços sejam feitos para ampliar o acesso a esse tratamento, além de mais estudos para prevenir ou minimizar seus efeitos adversos, garantindo que um maior número de pacientes possa se beneficiar dessa terapia.
 
Palavras-chave: Dermatologia; Engenharia Biomédica; fototerapia; terapia médica.
 
Referências
HALUPCZOK, A. M. et al. Tolerability of narrow-band ultraviolet-B phototherapy for different dermatological diseases in relation to co-medications. Acta Dermato-Venereologica, v. 104, adv35215, 2024.
KURZ, B. et al. Phototherapy: theory and practice. Journal der Deutschen Dermatologischen Gesellschaft, v. 21, n. 8, p. 882–897, 2023.
ORTIZ-SALVADOR, J. M.; PÉREZ-FERRIOLS, A. Phototherapy in atopic dermatitis. Advances in Experimental Medicine and Biology, p. 279–286, 2017.
SINGER, S.; BERNEBURG, M. Phototherapy. Journal der Deutschen Dermatologischen Gesellschaft, v. 16, n. 9, p. 1120–1129, 2018.
TORRES, A. E. et al. Role of phototherapy in the era of biologics. Journal of the American Academy of Dermatology, v. 84, n. 2, p. 479–485, 2021.
 

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Seção
Engenharia da Computação e Sistemas
Biografia do Autor

Rita Cassia-Moura, Laboratório de Modelagem Biológica - Divisão Biofísica, Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Sistemas, Escola Politécnica, Universidade de Pernambuco

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