Ações de acolhimento do estudante como estratégia de redução da evasão nas engenharias: uma experiência da Escola Politécnica da Universidade de Pernambuco

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Maria Luíza Cavalcanti de Andrade Albertins
Diego Henrique Alves da Silva
Paulo Roberto da Silva Filho
Anna Lúcia Miranda Costa

Resumo

A evasão universitária tem sido amplamente discutida por estudiosos que buscam identificar suas causas e propor estratégias de enfrentamento. Ao examinar suas características, observa-se que esse fenômeno não se limita a um perfil específico de curso, embora seja particularmente notável na área das ciências exatas (Silva et al., 2012). Segundo Coimbra, Silva e Costa (2021), a evasão pode ocorrer por diversas razões, que podem ser categorizadas da seguinte forma: (i) inserção, quando os estudantes mudam de curso e/ou instituição de ensino superior em busca de um redirecionamento em sua trajetória acadêmica; (ii) externalidades, quando fatores externos e involuntários levam à perda do vínculo entre o estudante e a instituição de ensino; e (iii) exclusão, quando a desconexão entre estudante e instituição ocorre devido a questões didáticas e/ou curriculares ou à ausência de políticas de acolhimento para estudantes em situação de vulnerabilidade. Além disso, deve-se considerar que, nos últimos anos, a implementação de políticas afirmativas tem ampliado o acesso ao ensino superior, incluindo um grande número de estudantes com perfis previamente excluídos, como aqueles de baixa renda e com deficiência. Essa expansão, embora benéfica em termos de inclusão, também tem contribuído para o aumento dos índices de evasão (Maciel; Cunha Júnior; Lima, 2019).
Neste cenário, a Escola Politécnica de Pernambuco conta com um órgão de apoio acadêmico diretamente vinculado à sua diretoria: o Núcleo de Apoio Psicopedagógico e Inclusivo (NAPSI). Este núcleo tem como objetivo promover o diálogo entre os diversos segmentos da comunidade acadêmica e oferecer suporte integral aos estudantes em todas as fases do curso, com especial atenção aos ingressantes, que frequentemente enfrentam desafios significativos associados a esta etapa de transição e aos desafios típicos da juventude.
A metodologia utilizada é de natureza qualitativa, focada em compreender as experiências subjetivas e os impactos percebidos pelos estudantes ao longo de sua participação nas atividades do núcleo. As ferramentas utilizadas pelo NAPSI para desempenhar seu papel foram organizadas em cinco pontos principais: (i) suporte à matrícula de egressos e acolhimento aos pais e responsáveis, prestando apoio durante o processo de matrícula e recepção dos familiares dos estudantes; (ii) ação de boas-vindas aos calouros no primeiro dia de aula, com a organização de eventos de recepção para os novos alunos no início do período letivo; (iii) coordenação pedagógica do curso de matemática básica, garantindo a qualidade pedagógica e a adaptação dos estudantes às exigências acadêmicas; (iv) realização de oficinas de diálogo com psicóloga especialista em jovens, para facilitar a comunicação e apoiar o bem-estar psicológico dos estudantes; e (v) definição de diretrizes junto aos docentes para ações especiais, estabelecendo orientações para os professores em caso de necessidade de intervenções específicas para grupos ou indivíduos, com especial atenção para estudantes que residem em áreas remotas ou enfrentam dificuldades de integração.
Os resultados qualitativos coletados através de entrevistas com os alunos que participam das atividades do NAPSI ilustram a importância das ações promovidas pelo núcleo. Um dos depoimentos mais representativos é o seguinte: "A adaptação aos estudos foi um desafio considerável para mim. As oficinas de diálogo com a psicóloga especialista em jovens, promovidas pelo NAPSI, foram fundamentais para superar esse período difícil. Além disso, acredito que a implementação de programas de monitoria e o aumento da oferta de atividades de apoio psicológico poderiam beneficiar ainda mais os estudantes." (depoimento do estudante que participa das atividades do NAPSI, 2024). 
Esse depoimento evidencia o impacto positivo das ações do NAPSI na vida acadêmica dos estudantes, demonstrando como o apoio oferecido pelo núcleo pode ser crucial para a superação de desafios acadêmicos e pessoais, bem como para a promoção de um ambiente universitário mais inclusivo e acolhedor.
Ao longo dos anos, o NAPSI esteve presente na vida acadêmica de diversas gerações de estudantes, que foram impactados e transformados, sejam eles parte ativa desse projeto ou meramente beneficiados por suas ações. Conclui-se que cada estudante que opta por ingressar no NAPSI, independentemente da atividade que desenvolve, contribui para a transformação da Escola Politécnica de Pernambuco em um ambiente cada vez mais acolhedor e agradável. Essa contribuição é fundamental para a redução dos índices de evasão e retenção ao longo do curso.
Portanto, ser membro do NAPSI não é apenas uma oportunidade de engajamento acadêmico, mas também uma forma de atuar como agente de transformação. Desse modo, é seguro afirmar que a maior contribuição do NAPSI é seu papel na formação de engenheiros e cidadãos com uma visão mais humanizada e comprometida com o bem-estar coletivo.

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Seção
Engenharia Civil