Diferenças na aplicação da termografia infravermelha passiva para identificação de descolamento em fachadas com revestimento cerâmico e argamassado

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Vanessa Ayanna de Souza Costa
Yêda Vieira Póvoas
Victor Henrique Vieira Braz

Resumo

Estudos sobre a detecção de manifestações patológicas por meio da Termografia Infravermelha (TI) passiva têm sido realizados em fachadas com diversos tipos de revestimento, tais como: argamassado (Adamopoulos et al., 2021), pedra (Chácara et al., 2023), concreto (De Filippo et al., 2023) e cerâmico (Bauer; Lucenas; Pavón, 2023). Com relação à eficiência e celeridade nas vistorias, a TI tem constatado resultados satisfatórios, tanto em análises qualitativas como quantitativas (Garrido et al., 2020, Rocha; Santos; Póvoas, 2018), de modo que agrega valor às inspeções por ser uma técnica não destrutiva com a qual manifestações patológicas, a saber, fissuras, umidade e descolamento, podem ser detectadas na superfície e subsuperfície dos revestimentos. Tendo em vista que os materiais da construção civil apresentam propriedades e características diferentes, a forma e intensidade com que as anomalias se apresentarão nas imagens térmicas podem ser diferentes. Este trabalho tem como objetivo apresentar diferenças identificadas na aplicação da termografia infravermelha passiva utilizada para detecção de descolamento em fachadas com revestimento cerâmico e argamassado. A metodologia adotada neste estudo abrangeu quatro etapas principais: investigação de campo, inspeção termográfica, análise qualitativa e análise quantitativa. A pesquisa foi realizada em um edifício construído em 1982 situado na região litorânea de Recife/PE. Foram examinadas duas anomalias de descolamento para cada tipo de revestimento, levando em conta a orientação das fachadas (argamassado – norte e sul; cerâmica – norte, sul, leste e oeste), no período de manhã e da tarde. De forma geral, a identificação de descolamento nas superfícies em revestimentos argamassados foi mais fácil do que em revestimentos cerâmicos quando se trata de análise qualitativa. Isso pode ser atribuído à maior porosidade do revestimento argamassado, que realça melhor as anomalias nos termogramas, e à complexidade do sistema dos revestimentos cerâmicos, que possuem uma estrutura mais homogênea e isolante, dificultando a absorção e a liberação de calor pela superfície da fachada. Em se tratando de edifício antigo e/ou que suas fachadas passaram por reparos, existem desafios para as análises termográficas. No caso de revestimentos argamassados, a textura irregular devido à presença de diferentes materiais nas áreas em que ocorreram reparos, causou variações na temperatura superficial que podem ser confundidas com anomalias, implicando em interpretações incorretas. Por outro lado, uma edificação antiga com revestimento cerâmico executado com dupla colagem (procedimento que tende a apresentar irregularidade na aplicação da argamassa de assentamento) ocasionou alterações na temperatura superficial, dificultando a detecção dos descolamentos. Em termos de análise quantitativa, o acúmulo de sujidade em revestimentos argamassados aumentou a temperatura daquela região expressa no termograma, o que não refletiu necessariamente a presença de anomalia sob o revestimento, mas a influência da sujeira na condução do calor. A análise de termogramas é desafiadora, não apenas devido às variações ambientais, mas também por causa das características próprias das camadas de revestimento. Diferenças na textura, composição e nas condições do local podem tornar a detecção de anomalias mais complexa. Quando existe dúvida sobre possíveis anomalias de descolamento e perda de aderência nos revestimentos, uma abordagem importante é analisar como ocorre dinâmica do fluxo de calor nessas áreas específicas.
 
Palavras-chave: Termografia infravermelha; fachada; argamassa; cerâmica.
 
Referências
 
ADAMOPOULOS, E. et al. Integrating Multiband Photogrammetry, Scanning, and Gpr for Built Heritage Surveys: the façades of Castello del Valentino.  ISPRS Annals of the Photogrammetry. Remote Sensing and Spatial Information Sciences, v. 3-M-1, p. 1-8, 2021. DOI: https://doi.org/10.5194/isprs-annals-VIII-M-1-2021-1-2021.
 
BAUER, E.; LUCENAS, R. R. D.; PAVÓN, E.. Critérios para identificação e diagnóstico de anomalias em fachadas cerâmicas através da termografia infravermelha quantitativa. Ambiente Construído, v. 23, n. 2, p. 101–119, 2023. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/s1678-86212023000200665.
 
CHÁCARA, C. et al. Integration of NDT, 3D parametric modelling, and nonlinear numerical analysis for the seismic assessment of a vaulted stone-masonry historical building. Journal of Building Engineering, v. 70, p. 106347, 2023. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jobe.2023.106347.
 
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GARRIDO, I. et al. Thermographic methodologies used in infrastructure inspection: A review— Post-processing procedures. Applied Energy, v. 266, p. 114857, 2020. DOI https://doi.org/10.1016/j.apenergy.2020.114857.
 
ROCHA, J. H. A.; SANTOS, C. F. dos.; PÓVOAS, Y. V. Detection of precipitation infiltration in buildings by infrared thermography: a case study. Procedia Structural Integrity, v. 11, p. 99-106, 2018. DOI: https://doi.org/10.1016/j.prostr.2018.11.014.
 

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Seção
Engenharia Civil